domingo, 26 de outubro de 2008

Traduzir ou não traduzir: eis a questão

Essa é uma questão antiga. Sobre isso, leiam o texto que publquei na Newsletter da Associação de Professores de Língua Inglesa do Estado de Minas Gerais (APLIEMGE), em 1997, disponível em http://www.letras.ufmg.br/andreamattos/Word-by-word%20Translation.pdf.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O que é Letramento (Crítico)?



Para compreender o conceito de letramento, façamos primeiro um paralelo com o conceito de alfabetização. Soares (2006, p. 16) diz que “alfabetizar é ensinar [alguém] a ler (e também a escrever).” A autora nos lembra que o termo ‘letramento’ vem do original em inglês ‘literacy’ que significa “o estado ou condição que assume aquele que aprende a ler e escrever” (SOARES, 2006, p. 17). A autora define, então, letramento como “O resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e escrever: o estado ou a condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como conseqüência de ter-se apropriado da escrita” (ibid, p.18).

Soares (2006) diz, ainda, que o letramento possui uma dimensão individual e outra social. Na dimensão individual, o letramento resume-se a uma simples posse das habilidades de ler e escrever. Note-se, porém, que o indivíduo que possui essas habilidades não é apenas alfabetizado (no sentido de que reconhece o alfabeto e consegue assinar seu próprio nome), mas também letrado (no sentido de que é capaz de ler textos, ainda que num nível básico, e escrever mensagens simples, pelo menos). Já em sua dimensão social, o letramento torna-se um fenômeno cultural e passa a ser caracterizado por “um conjunto de atividades sociais que envolvem a língua escrita, e de exigências sociais de uso da língua escrita” (ibid, p. 66). É nessa concepção, ou seja, em sua dimensão social, que, segundo a autora, “a escrita traz conseqüências sociais, culturais, políticas, econômicas, cognitivas, lingüísticas, quer para o grupo social em que seja introduzida, quer para o indivíduo que aprende a usá-la.” (ibid, p. 17)

De acordo com Street (1984, p. 1), letramento é “um termo-síntese para resumir as práticas sociais e concepções de leitura e escrita.” O autor identificou dois modelos que podem ajudar a compreender o conceito de letramento: o modelo autônomo e o modelo ideológico. O modelo autônomo define letramento como um conjunto de habilidades técnicas neutras e independentes do contexto social em que são usadas. São essas habilidades que permitem que o indivíduo funcione adequadamente em um contexto social. Num contexto educacional, as habilidades percebidas como “corretas” são definidas e a aprendizagem torna-se focada na reprodução mecânica dessas habilidades. Acredita-se que essas habilidades podem ser facilmente transferidas para a vida real. Assim, no ensino de línguas estrangeiras, por exemplo, especialmente no ensino de inglês, usou-se durante muito tempo a repetição na forma de drills como método principal de aprendizagem. Descobriu-se, porém, que as frases repetidas e praticadas em sala de aula raramente podiam ser transferidas e usadas pelos aprendizes em contextos reais. Essa forma de ensino/aprendizagem, contudo, ainda não foi totalmente abandonada por professores e educadores e permanece viva em muitos contextos de ensino de língua estrangeira.

O modelo ideológico, também chamado de ‘modelo de práticas sociais’, proposto como alternativa para o modelo autônomo, reconhece a natureza sócio-cultural do letramento (STREET, 1984). Nesse modelo, “o letramento é visto como um instrumento da ideologia, utilizado com o objetivo de manter as práticas e relações sociais correntes, acomodando as pessoas às condições vigentes” (SOARES, 2006, p. 76). Parte-se do pressuposto de que a prática do letramento nos contextos educacionais está “intimamente relacionada com processos sociais mais amplos, determinadas por eles, e resultam de uma forma particular de definir, de transmitir e de reforçar valores, crenças, tradições e formas de distribuição de poder” (id. ibid.).

Abraçar o modelo ideológico de letramento significa buscar mudanças nesse quadro. Para isso, o aprendiz deve passar a ser o detentor do poder para determinar o conteúdo e o currículo de sua aprendizagem, e não a instituição educacional. Essa abordagem reflete questões que são derivadas dos próprios interesses e conhecimento de mundo dos aprendizes e só muito recentemente começa a ganhar força no cenário mundial.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

GLOBALIZAÇÃO



Esta é uma palavra que provavelmente figura entre as mais pronunciadas nos dias de hoje. Mas o que é isso afinal?


Pesquisando a palavra na internet, encontrei o seguinte comentário num blog:

"Para entendermos globalização precisamos antes entender o contexto em que ela é inserida e o meio político em que ela foi criada. Até a década de 90 o mundo era dividido em dois: o capitalista e o socialista, nessa época ocorreram vários acontecimentos que nos trazem conseqüências até hoje, alguns deles são as armas nucleares e a tecnologia de ponta, criadas na época da segunda guerra mundial. O que nós estamos vivendo hoje é a vitória do sistema que ganhou esta guerra: o capitalismo. Nesse contexto que envolve fatores históricos como: a queda do muro de Berlim, fragmentação da antiga união soviética (URSS), fragmentação da Alemanha, a democratização do leste europeu, e a formação das cidades globais que concentram a produção e a distribuição, é que foi criada a Globalização. Hoje nós vivemos num mundo CAPITALISTA, NEOLIBERAL, GLOBALIZADO, isto significa que: O mundo atual é voltado totalmente para a produção com lucro, em um sistema econômico neoliberal, ou seja, com a mínima intervenção do Estado e cujo um dos propósitos principais é a privatização de órgãos estatais, e por fim globalizado. Ponto. Voltamos para o começo. O que afinal é globalização? O capitalismo é um sistema produtivo, ou seja, ele precisa produzir, e precisa vender para obter lucro, para isso ele usa dois outros sistemas auxiliares: O sistema neoliberal, do qual nós já fizemos referência acima, e uma rede de informação mundial que faça seu produto conhecido e comercializado no mundo inteiro. Apresento-vos a globalização! Quando usamos um cartão de crédito, ou até mesmo de banco, guando compramos algo pela internet, guando assinamos a TV a cabo, guando lanchamos no McDonalds, estamos automaticamente participando e fortalecendo este sistema que implantaram na nossa sociedade e nos obrigaram a aceitá-lo, sem perguntar se queríamos ou não. É como uma droga que eles nos obrigam a usar e depois que nos viciam nela, nos obrigam a nos submetermos a eles para obtê-la cada vez mais e suprir nosso vicío, a essa altura já incontrolável. A globalização, ou a Nova Ordem Mundial, é um meio injusto de ultrapassar os limites geográficos levando informação. Por quê? Porque se nós formos ao Sul da África agora nós veremos muitas pessoas pobres, vivendo em situações desumanas, mas com certeza nós encontraremos em algum lugar nos pontos turísticos do país um McDonalds, lojas que aceitam todos os tipos de cartões de créditos etc. Mas por que justamente nos pontos turísticos? Porque os únicos privilegiados com esse sistema é a burguesia. Agora se nós formos aos hospitais com certeza não veremos os equipamentos de última geração que conhecemos, e nem veremos uma quantidade desejada de remédios, apesar da necessidade e da carência desse povo em remédios e num sistema de saúde decente que atenda suas necessidades. Isso é o que eu chamo de conseqüência da globalização, nós pagamos um alto preço para termos acesso a informação do mundo atualizado, porque de algum lugar isso tudo é tirado. Olhem o exemplo do governo FHC, foi o êxtase da globalização e do neoliberalismo no Brasil, ele privatizou as nossas estatais, trouxe para o Brasil a tecnologia dos telefones portáteis (celulares) e entre outros. E quando parecia que nós haviamos encontrada a solução, elegemos um governo que tem medo de dizer não ao inimigo e que em vez de mudar, de revolucionar, simplesmente continua aquilo que outro já havia começado antes. Muitas pessoas demoram a perceber que o capitalismo e seus sistemas auxiliares nada fazem para mudar a realidade em que vivemos. Ele simplesmente privilegia aqueles que já são ricos e escraviza aqueles que são pobres. E outras pessoas mesmo que percebam isso, quando chegam ao poder esquecem dos ideais que prometeram em campanhas, e do povo pobre que é à base do governo atual, representando mais da metade do país. Enfim, globalização não é uma coisa concreta que se possa pegar ou tocar, analisar manualmente, é um sistema que somente podemos ver acontecer todos os dias ao nosso redor, e assim como ela não pode ser tocada, também não pode ser simplesmente destruída. Mas creio que o antídoto para esta droga, para este vicio, seja o uso dessa informação para mudarmos o que vem acontecendo no mundo nos dias atuais. Basta vermos um jornal, ou lermos, para vermos os terremotos, as guerras, as mortes, as doenças, às vezes parece que tudo esta contra nós, mas na verdade, como dizia Carlos Drummond de Andrade, o homem é lobo do próprio homem!"

Eu não concordo com tudo que está aí mas acho que é um bom ponto para começarmos a discutir a globalização, como ela nos atinge (e também a nossos alunos) e o que fazer a respeito (se é que podemos/devemos fazer alguma coisa). Outras pessoas fizeram comentários sobre a postagem acima. Um deles foi o seguinte:
  • "A globalização não foi inventada por um grupo de burgueses malvados que um dia se reuniu e resolveu inventar um método de sacanear os pobres e obrigá-los a aceitar um sistema indesejado que age como uma droga viciante. A globalização é a conseqüência não planejada de três fatores: o aumento das populações, o progresso das comunicações e o incremento dos meios de transporte. O efeito disto tudo foi o encurtamento de distâncias, dando ao mundo o feitio de uma aldeia. Este fenômeno é INEXORÁVEL: tem vantagens e desvantagens, mas não pode ser revertido. O mundo não vai abrir mão do celular, nem da internet, nem dos aviões. Portanto, sejam bem-vindos à globalização, e tentem se adaptar a ela, do contrário terminarão bem pobres."

Se quiserem ver outros comentários, visitem a página indicada. Uma correção: a frase final da postagem citada, segundo um comentário no próprio blog, não é de Carlos Drummond de Andrade, mas sim de Thomas Hobbes, em "Leviatã".

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Diário da Carla

E este é o espaço da Carla. Talvez você possa começar nos contando como está indo o trabalho com o livro na turma que você escolheu. O que você descobriu sobre se os alunos tem computador e acesso à internete? Como você está pensando em continuar o trabalho com a turma?

Diário do Marcos

Bem, Marcos, este é o seu espaço. Você pode começar contando como foi o trabalho com a história em quadrinhos sobre a dengue.

Diário da Deize




Bem, Deize, que tal você começar? Você poderia contar como foi a aula de hoje. O que aconteceu e como você desenvolveu cada atividade. Se alguém tiver dúvida, pode perguntar. Não se esqueça de incluir a sua reflexão sobre a aula. Um diário não tem sentido se não for reflexivo.

sábado, 7 de junho de 2008

Pensando a nossa Metodologia

Bem, como eu disse ontem, já temos um foco para a nossa pesquisa (o desenvolvimento das habilidades de escrita/leitura) e também uma teoria para nos embasar (letramento crítico). Já temos também uma metodologia de pesquisa (observação de aulas). Agora precisamos de uma maneira para registrar nossas observações. Poderiamos filmar ou gravar as aulas, mas algumas escolas teriam dificuldade para permitir isso.

Pensei em fazermos um diário, como fez o grupo da Valdeni. Esse diário poderia ser feito num gravador de voz, mas daria muito trabalho para transcrever. Também poderia ser feito através de registros escritos num caderno. Demora um pouco mais para registrar, mas depois é só copiar as partes que interessam para o power point na hora de apresentar os dados. Outra vantagem é que dá para carregar o caderninho para a escola e fazer os registros durante a aula mesmo, enquanto os alunos estão fazendo alguma atividade, ou durante um intervalo na sala dos professores ou mesmo no ônibus, no caminho de volta para casa. Isso leva a uma outra vantagem: evita que vocês esqueçam o que querem registrar. Outra vantagem ainda é que o caderninho fica sendo 'secreto', isto é, ninguém vê o que vocês estão escrevendo, mas também ninguém contribui, ninguém ajuda (não é muito colaborativo).

Uma outra opção, que seria mais colaborativa, seria fazer os registros num diário on-line, no nosso blog. Todos teriam acesso aos registros e poderiam fazer comentários e sugestões. Os registros seriam em forma de narrativas: cada um descreve (ou narra) aquilo que aconteceu na aula e faz seus próprios comentários e reflexões. Os outros podem ler as descrições, comentários e reflexões e podem tecer outros comentários, sugestões e novas reflexões. É importante ressaltar que o objetivo não é tecer críticas sobre o trabalho do colega (até porque todos nós estamos aprendendo a lidar com a teoria, já que nenhum de nós tem experiência no assunto), mas sim ajudar a pensar em alternativas para aquilo que o próprio colega acha que não funcionou ou aprender com o colega, isto é, tentar fazer as mesmas coisas que o colega fez numa aula que ele próprio acha que fucionou bem.

O que vocês acham? Eu poderia criar uma postagem para cada um de vocês, com foto e tudo.