quarta-feira, 11 de junho de 2008

Diário da Deize




Bem, Deize, que tal você começar? Você poderia contar como foi a aula de hoje. O que aconteceu e como você desenvolveu cada atividade. Se alguém tiver dúvida, pode perguntar. Não se esqueça de incluir a sua reflexão sobre a aula. Um diário não tem sentido se não for reflexivo.

20 comentários:

Deize disse...

Última semana de maio
Depois de muito pensar, resolvi relatar no blog as experiências com todas as 9 turmas que leciono, pois elas são a mesma série (1º. Ano / ensino médio) e o trabalho feito é o mesmo em todas elas. Para situar, preciso contar sobre as aulas anteriores até a desta semana, para que o relato da atual faça sentido.
Eu divido meu trabalho por campo semântico, ao invés da antiga lógica gramatical. Dentro de cada campo semântico divido as atividades em eixos temáticos que envolvem o reading, listening, writing, speaking e léxico-sistêmico. Depois de abordar a Cidadania e a Pluralidade Cultural, estou agora com o tema Meio Ambiente. Muito pertinente, já que no dia 5 de junho comemora-se o Dia Mundial do Meio Ambiente e a questão ambiental tem sido assunto de muitas discussões e reportagens around the world.
O trabalho sobre Meio Ambiente começou na última semana de maio. Naquela semana, lemos um texto sobre meio ambiente. Confesso que fiquei muito preocupada em traduzir palavra por palavra e isso me custou 2 aulas, já que o texto era grande. Só na última turma que não pedi a tradução detalhada, seguindo os conselhos da minha coordenadora, Andréa, que tem contribuído bastante para minha evolução profissional através de textos, comentários e trocas de experiências. Thank you!.. No caso desta última turma, os alunos comentaram o que eles entenderam a respeito do texto, que é o importante, porque da forma como eu estava fazendo, eu condicionava meus alunos a traduzir tudinho ao invés de compreender o texto em geral. Desta forma, gastamos apenas uma aula e o entendimento da turma foi ótimo e menos cansativo e estressante. Após a leitura do texto fizemos os exercícios de interpretação e corrigimos.
Apesar de grande, achei os alunos envolvidos com o texto. Muitos colaboraram com as estatísticas do texto, trazendo números mais atuais em termos de porcentagem de madeira ilegal que é retirado da mata, por exemplo, e ainda comentaram que achavam que o texto estava desatualizado. Mas no site onde retirei o texto, a data não era citada por isso dei muito crédito à informação que os alunos trouxeram.

Deize disse...

Primeira semana de junho
Nesta semana, assistimos a um documentário produzido pelo Greepeace sobre a seca no Rio Amazonas. Foi uma das aulas mais interessantes até hoje. Primeiro porque saímos do ambiente sala de aula. Segundo, os alunos puderam assistir a um vídeo (4 minutos) que mostrava o que está acontecendo em alguns trechos do Rio Amazonas. Eles puderam ver o rio secando, os barcos encalhados, peixe e botos morrendo e a reação de moradores da região frente a este cenário trágico. A maioria das turmas se mostrou muito interessada porque algumas imagens como milhares de peixes mortos boiando os deixaram perplexos. Passei o vídeo 3 vezes, na primeira, para que eles pudessem assistir, na segunda e na terceira, eles fizeram as atividades propostas na apostila. Fiquei preocupada em passar o vídeo em algumas turmas devido à falta de maturidade, achei que haveria brincadeiras e palhaçadas (típico de adolescente), mas nestas turmas mais complicadas o resultado foi surpreendente. E em uma turma que eu pensei que fosse mais tranqüilo, não houve da parte deles a maturidade necessária para acompanhar o vídeo sem “gracinhas”. Além dos peixes e do boto mortos, uma outra coisa que os chamou a atenção foi a fala de um nativo que mora na região do Amazonas falando sobre a seca do rio. A questão foi que o jeito dele de falar era muito diferente do nosso dificultando o entendimento do que estava sendo dito. Duas turmas acharam graça. Chegou até a dar um pequeno tumulto. Outras duas não se manifestaram. As outras turmas comentaram o fato. Uns alunos brincaram que entenderam mais o inglês do que aquele homem falando português. Depois do vídeo, fizemos uma discussão sobre o modo de falar do nativo da Amazônia. Alguns alunos disseram que era engraçado, diferente e estranho. Outros alegaram que a falta de estudos colaborou para que ele falasse assim. Mas no fim das discussões (e como o assunto rendeu!) todos perceberam que não há o melhor e o pior em termos de sotaque, mas que há o diferente e isso deve ser respeitado. O que é “certo” para um, é “estranho e engraçado” para o outro.

Deize disse...

Primeira semana de junho
Na outra aula da semana, fizemos uma avaliação. Nela, coloquei um texto também sobre meio ambiente, cujo vocabulário era bem próximo do que os alunos tinham lido e assistido nas aulas anteriores. A prova valeu 10 pontos e as notas ficaram em média entre 4 e 8 pontos, com alguns poucos alunos tirando mais ou menos que isto. O engraçado é que a turma que vai bem, todo mundo vai bem, e a turma que vai mal, todo mundo vai mal. Não sei bem o porquê disto. Talvez o jeito que a turma leva as aulas a sério porque o texto da prova era bem parecido com o da aula, então, se o aluno acompanhou a aula com seriedade, conseqüentemente ele foi bem na prova. Acho que outra resposta é que os alunos estão acostumados a fazer exercícios de seguir exemplo e reproduzir regras gramaticais no ensino fundamental. E nesta prova eles tiveram que interpretar o texto e fazer uso de estratégias de leitura. Os alunos mais participativos foram, claro, os que tiveram melhores resultados. Eu já devolvi as provas para eles, e costumo colar adesivos com palavras de congratulações, em inglês, para os que tiraram mais de 7 na prova. É uma piada, eles ficam super felizes porque ganharam o adesivo...já aqueles que tiram 6,5 reclamaram porque por meio ponto deixaram de ganhar o adesivo e consideraram isto muito injusto hehe...

Deize disse...

Segunda semana de junho
Nesta semana estudamos a parte de léxico-sistêmico. Numa aula, exploramos muito exercícios com o vocabulário sobre meio ambiente. Os alunos tiveram oportunidade de conhecer palavras novas como carbon dioxide; ozone layer; toxic waste; global warming; endangered species; que estão relacionadas a questão ambiental mas que ainda não haviam sido citadas. Na segunda aula da semana, trabalhamos com a parte gramatical, através dos exercícios, pudemos rever o imperativo e o presente simples através de frases retiradas do texto. Trabalhamos também com a voz passiva dos tempos simples. Está sendo difícil para muitos alunos porque eles não sabem reconhecer se o verbo na voz ativa está no presente ou no passado irregular. Na verdade, o grande problema dos alunos são os verbos irregulares. Já selecionei exercícios extras sobre a voz ativa, dentro do assunto meio ambiente, para dar um reforço nos alunos. Não vou ficar dificultado a vida deles colocando verbos irregulares desconhecidos deles. Não vejo razão nenhuma para isto, se eles dão conta de presente e de passado de verbos regulares, vou me focar nisto. A aula foi mais cansativa, afinal estudar gramática não é das coisas mais prazerosas do mundo. Mas no texto que eles leram sobre meio ambiente havia muitas expressões na voz passiva e eu aproveitei o gancho para sistematizar isto com os alunos.

Deize disse...

Terceira semana d julho.
Esta semana foi “punk”. Minha escola foi sorteada para ver o treino do Brasil no Mineirão, na terça feira. Mas o stress começou na segunda. Havia 350 vagas para 700 alunos. Sorteamos algumas turmas para ir e nelas foram excluídos alunos que tiveram conceito ruim no conselho de classe do primeiro bimestre (idéia infeliz da vice-diretora). Ai começou toda a confusão. Alguns alunos que no primeiro bimestre não foram exemplares, mas que melhoraram muito, foram excluídos. Outros que eram bonzinhos e agora aprontam, foram... Foi uma choradeira só... e nós professores tivemos que ouvir reclamação de aluno de todos os lados, sem poder fazer nada. No dia seguinte, teve mãe reclamando que a escola trabalha com a exclusão. Questão de ponto de vista. “A filosofia da escola não é excluir e sim, premiar os bons”, palavras da diretora. Enfim, fomos. Eu disse fomos porque fui sorteada para acompanhar um ônibus. Até então não sabia a fria que estava me metendo. Saíram 7 da escola e para cada ônibus foi sorteado um professor. Chegamos ao Mineirão quase 2 hrs e o treino só começou as 4. Eram 30 mil estudantes! E menino gritando de todos os lados. Uma escola vaiando a outra. Eu e as outras professoras estávamos com medo que houvesse briga, apesar de o estádio estar muito bem policiado. Graças a Deus, eles cansaram e no fim todos gritavam “Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amooooorrrr”. Quando os jogadores entraram em campo, gritos, gritos e mais gritos, minha cabeça a esta altura já explodia. Na volta, um trânsito horrível, chegamos quase 6 hrs na escola! No day after, metade da aula foi perdida em cada sala que eu entrava para comentar sobre o treino. Nas turmas que foram, foi um troca-troca de fotos. Nas que não foram, mais reclamações. Finalmente consegui corrigir o exercício sobre voz passiva que havia passado na semana anterior. Mais problemas, alunos com dificuldades de entender, de saber se o verbo está no presente e no passado. Achei melhor passar mais algumas frases para eles treinarem mais um pouco, algumas turmas deu até tempo de corrigir. Aproveitei também para marcar a próxima avaliação e um trabalho oral que será feito em sala. A semana acabou, ufa!

Deize disse...

Quarta semana de julho
Foi uma semana mais tranqüila, na primeira aula fiz a correção das frases sobre voz passiva que havia passado no quadro na semana anterior. É uma matéria que os alunos acharam difícil, pois tinham que usar o verbo “to be” no presente, passado, com os modais. É engraçado porque todos chegam no primeiro dia de aula dizendo que a única coisa que sabem é o “verb to be”, o que na prática não é verdade. Fora que usar o particípio os deixa tensos. O que ajudou é que a maioria dos verbos relacionados com meio ambiente, assunto que estávamos estudando, eram regulares como “pollute, help, protec, devastate, destruct...” Os alunos têm muita dificuldade de analisar. Porque no caso de voz passiva (eu trabalhei só com os tempos simples e alguns modais) alguns não conseguiam identificar o tempo verbal da frase na voz ativa e conseqüentemente não conseguiam fazer a passiva. Na segunda aula da semana, os alunos começaram a escrever o diálogo para uma apresentação oral. Neste diálogo, os alunos teriam que convidar um colega para visitar um local que tem a ver com meio ambiente como parque ecológico, jardim botânico. Eles fizeram a parte escrita na sala, em dupla, e pude corrigir de todos que fizeram. Eles não tiveram tanta dificuldade em elaborar o diálogo porque eu havia dado umas sugestões de como se convida, aceita e recusa. Muitos alunos gostam de diálogos. E apesar das dificuldades, o que os alunos mais gostariam era de aprender a falar e ser entendido em inglês.

Deize disse...

Primeira semana de julho
Esta semana só tivemos aula segunda, quinta e sexta, no meu caso só segunda e quinta. Algumas turmas fizeram prova de recuperação. Todos os alunos fizeram e a maior nota, entre a prova bimestral e recuperação, prevaleceria. O mais interessante é que as notas não mudaram muito. Quem foi bem na primeira, continuou com boa nota e quem foi mal, e mais precisava recuperar, continuou na mesma. O mais interessante é perceber que esses de resultados ruins são os alunos que não prestam atenção e não fazem as atividades ou simplesmente copiam. Acho que eles não têm muita salvação. Já aqueles que participam, que fazem as atividades, são os de melhores resultados. A prova exige mais raciocínio, compreensão escrita do que conteúdo a ser estudado, decorado. Costumo dizer que eles não precisam estudar para minha prova e sim saber pensar durante a prova. Isto é um grande problema para muitos alunos: buscar informação no texto, usar estratégias de leitura, interpretar. Os alunos não são acostumados a pensar. Todos os professores reclamam dos alunos copiarem exercícios e trabalhos em suas aulas, e se dermos oportunidade eles colam nas provas. A facilidade do sistema faz com que os alunos reproduzam muito e produzam pouco. Os próprios professores muitas vezes não têm capacidade criativa nenhuma e também são reprodutores de livros sem nenhuma visão crítica sobre o que estão fazendo. Mas os alunos, com a idade que estão, já têm opinião formada sobre seus valores escolares e para muitos o importante é passar. Os alunos consideram minhas provas difíceis, porque sempre ponho textos, normalmente sem vocabulário que os ajude afinal nenhum vestibular ou concurso traz listinha de vocabulário em fim de prova. Mas a prova só é difícil para os que não prestam atenção às aulas, já que procuro colocar textos com o mesmo assunto que foi estudado em sala, portanto, de vocabulário parecido. Pensar é difícil mesmo, por isso, para esses alunos, minhas provas nunca serão fáceis e não pretendo baixar o nível para atender a essa maioria de alunos acomodados.

Deize disse...

Segunda semana de julho
Esta foi a última semana de aula antes do recesso de julho e foi dedicada à apresentação dos diálogos em que os alunos teriam que convidar um colega para um passeio em qualquer lugar onde aprenderiam coisas sobre o meio ambiente. A apostila trazia algumas sugestões e os alunos deram outras como parques, jardins, centro de reciclagem, entre outros. O interessante do diálogo foi que além de ser uma atividade significativa, os alunos teriam que usar seus poderes de persuasão para convencer o colega a ir com eles no lugar pretendido. O argumento usado foi fundamental para que o convite fosse aceito ou recusado. Os diálogos seguiram a linha de conversa informal, uma vez que eles estavam conversando com os próprios colegas. Por uma questão de tempo, os alunos elaboraram as frases em casa. Em sala, eu dei a eles alguns modelos de frases de convite, recusa e aceitação. Combinamos uma quantidade média de frases para que alguns diálogos não ficassem muito longos enquanto outros ficassem muito curtos. Em geral, os alunos gostaram muito da apresentação e este speaking teve muito mais a adesão por parte deles do que o proposto no primeiro bimestre. A atividade de speaking é sempre motivante e desafiadora para os alunos e é o momento deles colocarem em prática o assunto que foi discutido em sala, além disso, eles puderam produzir um diálogo que realmente acontece na vida real ao invés de repetir frases soltas e sem uso social. Na avaliação em considerei a facilidade do aluno em se expressar, o respeito aos turnos e a naturalidade da conversa.

Deize disse...

Primeira semana de agosto
Nesta semana, os alunos foram orientados a elaborar um folder sobre o meio ambiente. Eles deveriam pensar numa campanha sobre reciclagem, plantio de árvores, animais em extinção, entre outras sugeridas tanto pela apostila quanto pelos alunos, criar um slogan, uma ilustração e dar as informações ou sugestões sobre a campanha. Combinamos que cada grupo (até 3 pessoas) escrevesse de 5 a 10 tópicos sobre o assunto tratado. Percebi que a escrita em tópicos foi um facilitador no trabalho dos alunos.
O gênero folder foi discutido em sala, já que alguns alunos não sabiam do que se tratava. Conversamos sobre a função e os objetivos que um folder tem na sociedade e discutimos as questões ambientais que seriam abordadas no trabalho. A maioria dos alunos não teve dificuldade em tratar do assunto porque durante dois meses fizemos várias atividades abordando a questão ambiental. Eles leram textos, assistiram a um documentário, fizeram um diálogo e discutimos muito sobre meio ambiente. Todas estas informações mais o conhecimento de mundo dos alunos foram facilitadores para o levantamento de idéias. Dentro de sala, eles planejaram o trabalho e começaram o processo de escrita. O dicionário foi a ferramenta de trabalho deles e a revisão ficou mais por minha conta pois os colegas, em geral, não conseguem detectar os erros dos outros. O erro mais comum que eles cometiam era de usar “it” em frases imperativas, bom, o legal era que eles lembraram do “s” no verbo, ex. “It contributes to our campaign”, ao invés de “Contribute to our campaing”. Em casa, eles usaram editores de texto para comparar o trabalho e muitos preferiram confiar no tradutor do computador. Desenhos e imagens foram sugeridos pelos alunos para ilustrar o texto. Outra sugestão combinada entre eles foi o formado do folder, que seria de um papel dobrado ao meio, embora alguns alunos preferiram usar outro layout. O interessante do trabalho foi a oportunidade de refletir e discutir os problemas ambientais, suas causas e conseqüências e poder usar o conhecimento adquirido durante o estudo da unidade mais o conhecimento prévio para a elaboração do folder.
Considero que este foi um trabalho da escrita enquanto processo devido às etapas de planejamento, versões e principalmente o fato dos alunos terem sido motivados a escrever com um propósito comunicativo, através do trabalho com um gênero textual muito utilizado socialmente em que o leitor considerado era a sociedade em geral. Além de significativa, esta atividade não foi isolada, ela estava integrada com as outras atividades desenvolvidas durante o bimestre.

Deize disse...

Segunda semana de agosto
Esta semana começamos a estudar um assunto novo, entretenimento. O primeiro tópico que abordamos foi cinema. Falamos sobre os gêneros de filme, os alunos falaram sobre seus filmes favorito...e o assunto rendeu. Todos queriam falar, contar estórias de filmes, falar dos atores. Na apostila havia algumas sugestões de perguntas que os alunos aceitaram responder em inglês tranqüilamente, o que na minha opinião se deve ao interesse deles pelo assunto, além do desejo de se comunicar em inglês. Às vezes, fico com receio de falar inglês em sala de aula e acho que de alguma forma transmito esta insegurança para os alunos em falar inglês também. Na segunda aula da semana, fizemos a leitura da resenha do filme “Spider-Man”. Discutimos o gênero “resenha”, falamos sobre suas características e funções. Por ser um texto autêntico, colabora na formação do letramento crítico dos alunos porque “prepara o aprendiz para lidar com situações reais de comunicação” (Mattos e Valério, 2008). Apesar do texto apresentar algumas palavras mais difíceis, em geral, muitos alunos entenderam o texto. Neste caso especificamente, o conhecimento de mundo foi fundamental, uma vez que muitos alunos já haviam assistido ao filme. Antes da leitura, eu pedi aos alunos para que eles contassem o filme com o objetivo de levantar idéias sobre o que seria lido e dar suporte cultural àqueles colegas que não tiveram oportunidade de assistir ao filme antes. Depois da leitura, discutimos sobre o dilema de Peter Parker, sua relação com Mary Jane, com seu amigo Harry Osborn e com o vilão da estória, dr. Octopus.

Deize disse...

Terceira semana de agosto
Nesta semana, trabalhei o eixo léxico-sistêmico com os alunos. Nesta aula, ensinei aos alunos algumas formas para se fazer um convite, recusá-lo ou aceitá-lo. Falamos sobre algumas conjunções “but, and, although, in spite of/despite”. Este era o assunto sugerido no site das Orientações Pedagógicas Estaduais que eu sigo. A primeira parte, sobre as formas de convidar e responder aos convites, eu achei muito significativa. Nas próximas aulas, os alunos terão de usá-las para convidar os colegas para assistir a um filme, tanto por e-mail, num trabalho escrito, quanto pessoalmente, numa atividade oral. Acho que de certa forma, isto contribui para o Letramento Crítico dos alunos porque ao convidar, a pessoa precisa usar seu poder de persuasão para que a pessoa aceite. Ao mesmo tempo, aquele que recebe o convite precisa de argumentos para aceitar ou recusar a proposta. Considero que outra contribuição para a LC é que isso faz parte de situações reais do dia-a-dia, seja ela por escrito ou oral. Quando eu comecei a trabalhar com as conjunções, embora fosse um assunto que os alunos entenderam, eu fiquei me perguntando para quê eu estava fazendo aquilo. Senti como antigamente, dando uma aula de gramática, que não via muita relação com o que estávamos falando. Acho que falhei na hora de seguir a sugestão das Orientações Pedagógicas por não avaliar o grau de dificuldade e o uso social deste assunto.
Deize

Deize disse...

Quarta semana de agosto
Esta semana foi dedicada à correção de exercícios sobre os aspectos léxico-sistêmico discutidos na semana anterior. A grande dúvida dos alunos não é em seguir regras como diferenciar o uso de “although” de “in spite of”, mas eu compreender a frase que estão lendo. Eles têm muita dificuldade com vocabulário. Os alunos chegam com muitas lacunas na aprendizagem da língua estrangeira, o que dificulta o seu avanço e, conseqüentemente, sucesso nos resultados. Na segunda aula da semana, os alunos fizeram o rascunho de um trabalho escrito em duplas. Neste trabalho, eles terão que convidar um amigo em comum para ir ao cinema. Além do convite, os alunos terão de falar um pouco sobre o filme a fim de convencer o colega a aceitar. Discutimos sobre as características do gênero “e-mail” e foi sugerida a seguinte estrutura:
1) cumprimento
2) frase-convite e anúncio do filme
3) breve exposição sobre o filme em forma de resenha
4) motivos que levam a dupla a convidar o(a) amigo(a) em comum
5) fechamento do convite.
Esta foi uma atividade que acho que ajuda os alunos a desenvolver o LC. A escrita foi trabalhada numa situação real, através de textos autênticos elaborados pelos próprios alunos. Infelizmente, ainda não posso contar os alunos para corrigirem ou avaliarem a escrita uns dos outros. São poucos aqueles que conseguem fazer isso, ficando na minha responsabilidade o trabalho de corrigir os rascunhos com eles em sala. Durante a atividade, as dúvidas que surgiam, eu ia comentando com a turma toda. O trabalho de digitação foi feito em casa, porque os computadores da escola são usados para cursos.
Deize

Deize disse...

Primeira semana de setembro
Semana de prova...

Segunda semana de setembro
Nesta semana, trabalhei umas atividades extras com os alunos sobre o tema entretenimento. São atividades que consideram aspectos léxico-sistêmico. Nelas são trabalhados os verbos e o vocabulário sobre entretenimento. Estou em dúvida se isso ajuda no LC. Às vezes penso que não por serem atividades de frases isoladas, sem contexto. Ao mesmo tempo, fico questionando, como um aluno vai fazer uso social da escrita ou vai compreender um texto se ele não tem conhecimento léxico-sistêmico para isto? Eu mesma não saberia definir se esta atividade ajuda ou atrapalha na formação do LC.
Deize

Andrea Mattos disse...

Bem, Deize, você foi a primeira a trabalhar com o blog e a última a receber comentários. Desculpe-me por isso, mas há muitas coisas a serem comentadas no seu blog. Vou aos poucos para não me perder.

Em primeiro lugar, quero comentar uma postagem que você fez no dia 15/06. Lá você conta sobre o trabalho que você desenvolveu com o documentário do Green Peace sobre a Amazônia e da discussão com os alunos sobre os vários sotaques. Quero ressaltar que isso foi muito importante para o desenvolvimento do senso crítico dos alunos, e é resultado do seu trabalho! Algo de que você deve se orgulhar! Você mesma reconheceu que, ao fim da discussão, todos perceberam que não há melhor nem pior, mas sim o diferente e, mais importante que tudo, "isso deve ser respeitado."

Outro ponto muito importante nos seus relatos no blog é a sua capacidade de refletir sobre o que você está fazendo, tanto em termos do trabalho com o Letramento Crítico quanto sobre outros temas, como maturidade dos alunos, suas provas e avaliações e as contribuições que você recebe de seus alunos. Conseguir refletir sobre a própria prática e fazer avaliações pertinentes de seu próprio trabalho é desenvolver (e fazer uso de) uma consciência crítica importante na vida de qualquer professor.

Sobre seu trabalho com o Letramento Crítico, coloquei no blog uma nova postagem sobre o que é letramento e a diferença entre um letramento que chamamos de funcional e aquele que queremos que seja crítico. No letramento funcional, o que fazemos é fornecer aos alunos a possibilidade de adquirirem capacidades e habilidades técnicas (skills) que eles sem dúvida poderão aplicar em suas vidas presentes e futuras para que possam "funcionar" melhor na sociedade. Contudo, para um trabalho que desejamos crítico, é preciso dar um passo além e refletir sobre as relações de poder existentes em nossa sociedade.

No seu trabalho com o gênero convite, por exemplo, tanto no convite feito para visitar um local ligado a questões de meio ambiente quanto no convite para ir ao cinema, você poderia ter trabalhado uma questão que é latente em nossa sociedade e que envolve a diferença de poder entre os gêneros (homens e mulheres): Quem normalmente faz o convite em nossa sociedade? Uma mulher pode convidar um homem para sair? Por que não? Talvez seus alunos, por serem jovens e "avançadinhos", tenderão a dizer que não tem nenhum problema uma mulher convidar um homem para sair, mas sabemos que essa é uma questão que ainda não foi superada em nossa cultura: normalmente esperamos que os homens façam os convites, e resta às mulheres aceitar ou recusar. A mulher (ou menina) que convida um colega (de trabalho ou de escola) para sair pode ser mal interpretada em suas intenções. Essa é uma questão que, como disse, envolve o poder que os homens têm em nossa cultura. Como podemos lidar com isso? Como podemos ajudar nossos alunos a perceber essas diferenças de poder e a lutar contra elas, sem contudo se exporem de maneira ridícula frente aos colegas?
É importante deixar claro que, embora hoje em dia a relação entre os sexos seja bem mais igualitária do que já foi antigamente, ainda há muito preconceito em nossa sociedade. Nós, mulheres, queremos lutar contra esses preconceitos, mas não queremos nos expor de maneira anti-cultural, pois isso pode nos causar muitos problemas reais.

Quero ressaltar que é preciso ter muito cuidado ao abordar estas questões na sala de aula, principalmente com alunos menores. O professor corre o risco de ser mal interpretado e comentários que os alunos fazem em casa ou com outros colegas na escola podem chegar aos ouvidos da coordenação, causando sérios problemas para o professor. Precisamos refletir seriamente sobre as vantagens e desvantagens desse tipo de trabalho.

Andrea Mattos disse...

Só mais um comentário, na verdade, um lembrete para todos: não se esqueça de continuar colecionando o material que seus alunos produzem, por exemplo, os convites, os e-mails e os folders.

Deize disse...

Terceira semana de setembro
Basicamente as mesmas atividades da semana anterior...nada a comentar...

Quarta semana de setembro
Nesta semana os alunos se prepararam para apresentar um role-play, em duplas, em que um deve convidar o outro para assistir a um filme e o outro irá aceitar ou recusar o convite. A conversa deve acontecer da forma mais realista possível. A avaliação acontece pela verificação do sucesso sócio-comunicativo dos alunos, obtido na apresentação do role-play. A simulação foi eficiente? Ela é representativa de uma situação que poderia acontecer na vida diária? Os alunos atingiram seus intentos comunicativos? A participação dos alunos foi a melhor (entre as três que fizeram) tanto no envolvimento dos alunos quanto na desenvoltura e pronúncia. Eles estavam mais dedicados e o resultado foi muito positivo. Os próprios alunos perceberam a melhora deles e comentaram que este foi o melhor diálogo. Em uma das turmas, discuti a relação de poder numa situação de convite. Perguntei aos alunos (meninos) o que eles achavam de receberem um convite de uma menina. A maioria deles disse achar muito bom. Um deles é deficiente visual, tem 20 anos, enquanto os outros têm entre 15/16, disse que mulher fácil não é legal. Mas, os meninos disseram que a mulher fazer o convite não é problema, mas o modo como ela fala e como age é o que eles avaliam. As meninas se dividiram. Algumas concordaram com a opinião dos meninos, ou seja, que não tem problema elas convidarem, mas que o jeito de agir diz muito se a menina é “piriguete” ou não. Outras seguem uma linha mais tradicional. Para elas, a função de convidar é dos meninos e é função das meninas saber colocar os limites da relação. Eu perguntei para as meninas quem avalia, ou seja, quem dá o veredito se a menina é ou não “piriguete”. Elas disseram que são os meninos quem avalia, mas que também elas sabem muito bem se a menina é ou não “pra frente”. Quanto eu perguntei se nesta situação o poder pertencia aos meninos, a revolta feminina foi geral, mesmo entre aquelas que seguem a linha mais tradicional. Elas disseram que o poder é de quem “está afim” e que o limite está no jeito da menina e não no convite. No geral, eles foram contraditórios porque é uma discussão complicada. De um lado, fica a questão feminista do outro a visão machista, uma guerra eterna. A aula acabou antes da discussão. Eles disseram que esta foi a melhor aula e que os professores deveriam dar mais espaço para eles discutirem as coisas das quais eles gostam.

Andrea Mattos disse...

Acabo de ler seu comentário,Deize, e achei muito interessante a maneira como você abordou o tema na sala de aula: perguntando primeiro aos meninos. Acho que foi uma discussão proveitosa e com certeza você plantou a semente da reflexão na cabecinha deles. O feedback que você recebeu também foi muito positivo. Na próxima aula, se os alunos tocarem no assunto novamente, você pode perguntar por que o menino não é taxado de "periguete" ou "pra frente" quando ele faz o convite. Isso talvez ajude-os a perceber que esta é uma questão cultural.
Boa sorte!

Anônimo disse...

BEM DEIZE, GOSTEI DO SEU BLOG, ACHEI BEM INTERESSANTE, O SEU ME DEU UM POUQUINHO MAIS DE TRABALHO POR SER MAIOR. NO ENTANTO, ME DIVERTI MUITO COM ALGUNS TRECHOS, PRINCIPALMENTE, AQUELE DO MINERÃO.
SELECIONEI AS PARTES QUE GOSTARIA DE COMENTAR, ESTÁ TUDO MISTURADO, MAS VCS ENTENDERÃO.
“Confesso que fiquei muito preocupada em traduzir palavra por palavra e isso me custou 2 aulas, já que o texto era grande.”
DECIDI CITAR ESSA PARTE, POIS NOVAMENTE APARECE A QUESTÃO DA TRADUCÃO, UM PONTO COMUM ENTRE NÓS TRÊS. REALMENTE O TRABALHO SE TORNA BEM MAIS CANSATIVO. NO ENTANTO, VC ENCONTROU UMA MANEIRA BEM MAIS INTERESSANTE E MENOS CANSATIVA:
“No caso desta última turma, os alunos comentaram o que eles entenderam a respeito do texto, que é o importante, porque da forma como eu estava fazendo, eu condicionava meus alunos a traduzir tudinho ao invés de compreender o texto em geral. Desta forma, gastamos apenas uma aula e o entendimento da turma foi ótimo e menos cansativo e estressante.”
OUTRA PARTE QUE ACHEI BEM LEGAL FOI ESTA:
“Muitos (ALUNOS) colaboraram com as estatísticas do texto, trazendo números mais atuais em termos de porcentagem de madeira ilegal que é retirado da mata, por exemplo, e ainda comentaram que achavam que o texto estava desatualizado. Mas no site onde retirei o texto, a data não era citada por isso dei muito crédito à informação que os alunos trouxeram.”
ISSO MOSTRA QUE VC, ASSIM COMO EU, SOMOS ABERTOS AOS NOSSOS ALUNOS, FREIRE (PEDAGOGIA DA AUTONIA) ASSEVERA QUE O PROFESSOR DEVE SE PERMITIR AO ALUNO, DA MESMA FORMA QUE O ALUNO AO PROFESSOR.

“Fiquei preocupada em passar o vídeo em algumas turmas devido à falta de maturidade, achei que haveria brincadeiras e palhaçadas (típico de adolescente), mas nestas turmas mais complicadas o resultado foi surpreendente. E em uma turma que eu pensei que fosse mais tranqüilo, não houve da parte deles a maturidade necessária para acompanhar o vídeo sem “gracinhas”.”
MUITAS VEZES O QUE ATRAPALHA O NOSSO TRABALHO É A FALTA DE MATURIDADE DE NOSSOS ALUNOS, NÃO ME IMAGINAVA QUE VC TAMBÉM PASSAVA ISSO COM SEUS ALUNOS, POR ELES SEREM MAIS VELHOS.
OUTRO TRECHO:
“o texto da prova era bem parecido com o da aula, então, se o aluno acompanhou a aula com seriedade, conseqüentemente ele foi bem na prova.”
O QUE VC ESCREVEU ME FEZ LEMBRAR O QUE FOI DISCUTIDO NAQUELA ÚLTIMA AULA, MAIS ESPECIFICAMENTE, NA PARTE EM QUE FOI DISCUTIDA A QUESTÃO DA AVALIAÇÃO. NESSE MOMENTO NÃO ME LEMBRO DO TERMO EM INGLÊS QUE VEICULA A IDÉIA DE COERÊNCIA QUE DEVEMOS TER AO APLICAR UMA PROVA. (SE VC ENSINA Y ESPERA-SE QUE VC COBRE Y E NÃO A, B OU C) ENTENDEU? BEM, ESPERO QUE SIM.
“Eu já devolvi as provas para eles, e costumo colar adesivos com palavras de congratulações, em inglês, para os que tiraram mais de 7 na prova.”
ESSE TRECHO ME FEZ LEMBRAR OS MEUS ALUNOS, ELES ADORAM QUE EU DÊ VISTO EM TODAS AS ATIVIDADES. MAS SÒ QUE NA HORA DO CONCEITO FINAL ( A, B, C OU D) COSTUMO SER BEM MAIS SEVERO DO QUE VC, O A È DADO SOMENTE PARA O ALUNO TOP DE LINHA, AQUELE QUE TEM CAPRICHO, QUE PRESTA ATENÇÃO, ETC.
“A aula foi mais cansativa, afinal estudar gramática não é das coisas mais prazerosas do mundo.”
MAS SE A GENTE NÃO A ABORDA, VEM UM PAI TOTALMENTE DESINFORMADO (QUE MAL, MAL SABE A DATA DE ANIVERSÁRIO DO FILHO) E DIZ: “SUA AULA É SEM OBJETIVIDADE”, SENDO TUDO QUE FAÇO EXPLICO E JUSTIFICO, VAI ENTENDER?!
“Minha escola foi sorteada para ver o treino do Brasil no Mineirão, na terça feira. Mas o stress começou na segunda.”
EU SIMPLESMENTE ODEIO ESSE TIPO DE ATIVIDADE, PRA MIM SÓ SERVE PARA FAZER-NOS PERDER AULAS. ESSE MÊS, POR EXEMPLO, PERDI UM MONTÃO DE AULAS COM A COMEMORAÇÃO DA SEMANA DAS CRIANÇAS, FUI ESCALADO PARA AJUDAR TOMAR CONTA DOS MENINOS NAS BRINCADEIRAS.
MAS DISCORDO COM VC NESTA PARTE: “Havia 350 vagas para 700 alunos. Sorteamos algumas turmas para ir e nelas foram excluídos alunos que tiveram conceito ruim no conselho de classe do primeiro bimestre (idéia infeliz da vice-diretora)”
EM MINHA OPINIÃO A IDÉIA DELA FOI ÓTIMA.
E PARA OS ALUNOS QUE RECLAMARAM ATÉ, EU FALARIA DO SEGUINTE MODO: “ OH ZEZINHO, TUDO TEM CONSEQUÊNCIA, VC ESTÁ COLHENDO O QUE PLANTOU, AINDA BEM QUE, AGORA, VC ACORDOU PRA VIDA MEU FILHO!” E O QUE A DIRETORA “FALOU” É REALMENTE VERDADE, O MUNDO É FEITO DE PREMIAÇÕES, ELE NÃO QUER SABER O QUE VC NÃO SABE FAZER E SIM O QUE VC É CAPAZ.
“GOSTEI MUITO DESTA PARTE, QUE STRESS VC PASSOU, EU ODIARIA TER DE IR AO MINEIRÂO. DE FUTEBOL A ÚNICA COISA QUE GOSTO É A CAMISA DOS TIMES, TENHO UM MONTÃO (QUERIA UMA DA INGLATERRA BRANCA, MUITO BONITA MESMO, MAS CARA QUE DÓI, DA ÚLTIMA VEZ QUE APRECEI ERA R$ 200)”

OUTRO TRECHO:
“ Os próprios professores muitas vezes não têm capacidade criativa nenhuma e também são reprodutores de livros sem nenhuma visão crítica sobre o que estão fazendo.”
CONCORDO COM VC, MAS IREI FAZER UMA PEQUENA RESSALVA. NÓS, PROFESSORES, ENFRENTAMOS E ASSUMIMOS MUITAS COISAS. ALÉM DO BAIXO RECONHECIMENTO FINANCEIRO E SOCIAL, DEPARAMOS, NO DIA-A-DIA, QUESTÕES QUE NÃO SÃO DE NOSSA ÁREA, QUE COMPENTEM A OUTROS PROFISSIONAIS, COMO: FONOAUDIÓLOGOS, PSICOLOGOS, ASSISTENTES SOCIAIS, PSQUIATRAS, DENTISTAS, MÉDICOS, ETC. TUDO ISSO E JUNTANDO SALAS DE AULA CHEIA, SEM ESTRUTURA FÍSICA ADEQUADA, COM ALUNOS DESINTERESSADOS (E MUITAS VEZES VIOLENTOS), SEM MENCIONAR AINDA A FALTA DE RECURSOS (COMPUTADORES, RÁDIOS, ETC.) E DUPLA OU TRIPLA JORNADA DE TRABALHO INIBEM A CRIATIVIDADE E DESEJO DO PROFESSOR.
POR EXEMPLO, ESTE ANO A MINHA ESCOLA FICOU SEM SUPERVISÃO DURANTE VÁRIOS MESES, AGORA, NESSA PENÚLTIMA SEMANA DE OUTUBRO QUE CHEGOU UMA.

NESSE TRECHO VC MESMO DISSE:
“O trabalho de digitação foi feito em casa, porque os computadores da escola são usados para cursos.”

JÁ PENSOU SE SEUS ALUNOS NÃO TIVESSEM UM COMPUTADOR EM CASA. VC TERIA DE SER MAIS CRIATIVA AINDA.

TRECHOS:
“Os alunos foram orientados a elaborar um folder... O gênero folder foi discutido em sala, já que alguns alunos não sabiam do que se tratava. Conversamos sobre a função e os objetivos que um folder tem na sociedade e discutimos as questões ambientais que seriam abordadas no trabalho.”
“Discutimos o gênero “resenha”, falamos sobre suas características e funções.”
“as características do gênero “e-mail”
‘Algumas formas para se fazer um convite, recusá-lo ou aceitá-lo”

O TRABALHO COM OS MAIS DIVERSOS GENÊROS É MUITO VÁLIDO E IMPORTANTE.

“Desenhos e imagens foram sugeridos pelos alunos para ilustrar o texto. Outra sugestão combinada entre eles foi o formado do folder, que seria de um papel dobrado ao meio, embora alguns alunos preferiram usar outro layout.”
ESSE TRECHO ME FEZ LEMBRAR OS MEUS ALUNOS. NO NOSSO CARTAZ COLETIVO, PUDE ACOMPANHÁ-LOS A DECIDIR COMO FAZER A MARGEM, QUE TIPOS DE MATERIAIS USAR, ETC. NO MEU PORTFOLIO, EU OS PEDI PARA FAZER UM BREVE COMENTÁRIO A RESPEITO DISSO.
“Às vezes, fico com receio de falar inglês em sala de aula e acho que de alguma forma transmito esta insegurança para os alunos em falar inglês também.”
ACHO QUE ESSE RECEIO É COMUM, TAMBÉM SINTO O MESMO.

TRECHOS:
“Por ser um texto autêntico, colabora na formação do letramento crítico dos alunos porque “prepara o aprendiz para lidar com situações reais de comunicação”
“Considero que outra contribuição para a LC é que isso faz parte de situações reais do dia-a-dia, seja ela por escrito ou oral.”
“Eu mesma não saberia definir se esta atividade ajuda ou atrapalha na formação do LC.”
ACHEI VÁLIDA A SUA REFLEXÃO A RESPEITO DO LETRAMENTO CRÍTICO. TAMBÉM TENHO DÚVIDA SE FIZ OU ESTOU FAZENDO A COISA CERTA, TANTO COM A DENGUE E COMO COM A OUTRA ATIVIDADE QUE ESTOU DESENVOLVENDO COM OS MEUS ALUNOS. (EM BREVE, FAREI ATUALIZAÇÔES NO MEU BLOG).

TRECHO - COMENTÁRIOS DA ANDREA
“No letramento funcional, o que fazemos é fornecer aos alunos a possibilidade de adquirirem capacidades e habilidades técnicas (skills) que eles sem dúvida poderão aplicar em suas vidas presentes e futuras para que possam "funcionar" melhor na sociedade. Contudo, para um trabalho que desejamos crítico, é preciso dar um passo além e refletir sobre as relações de poder existentes em nossa sociedade.”

OLHA SÓ QUE LEGAL DEIZE A PARTIR DOS COMENTÁRIOS DA ANDREA, AQUELE À RESPEITO DA RELAÇÃO DE PODER:
“Quem normalmente faz o convite em nossa sociedade? Uma mulher pode convidar um homem para sair? Por que não?”
VC FOI CAPAZ DE DESENVOLVER UMA ATIVIDADE SIGNIFICATIVA, POR ISSO QUE DEVEMOS SEMPRE TROCAR NOSSAS EXPERIÊNCIAS E DÚVIDAS, UM APRENDE COM O OUTRO, NÃO SOMOS SERES CAPAZES DE FAZER TUDO SOZINHOS, SOMOS SERES INACABADOS E IMPERFEITOS, GRAÇAS A DEUS! (MARCOS VINÍCIUS)

Anônimo disse...

Oi Deize, gostei muito de seus comentários. Valeu!
Em relação ao último, eu tive receio de aplicar o texto, tanto é que eu ia fazer a experiência somente com uma turma, mas só que os meninos gostaram tanto do assunto, que eles nem reclamaram da leitura que fizemos juntos. Pelo contrário, todos queriam participar da discussão, uma pena que tive de cortá-los, senão não daria tempo de explicar o exercício.
(Temos de cobrar um pouquinho a mais mesmo)

Deize disse...

Última semana de outubro
Esta semana foi bastante animada. Na primeira aula, os alunos apresentaram o trabalho de música. Neste trabalho, eles tinham que cantar uma música em inglês, em grupo de 4 pessoas. O objetivo desta tarefa é melhorar a habilidade oral dos alunos, fazendo com que a pronúncia melhore e que eles se sintam mais seguros para falar. Outro objetivo é fazer uma aula mais animada pois nesta época do ano, a maioria dos alunos já não está tão envolvida com os estudos. Uma grande parte já passou de ano e outra já não vai passar mesmo. Um pequeno grupo tenta correr atrás do prejuízo. Muitos alunos me cobraram este trabalho desde o início do ano. A participação foi boa. Não foi unânime. Alguns não apresentaram por vergonha de cantar, outros acharam que não valia a pena pagar mico por 3 pontos, pois já passaram. Em compensação, alguns alunos se empolgaram bastante, além de cantar, fizeram coreografias em músicas como “Y.M.C.A” e na trilha sonora do “Titanic” hehe foi bastante engraçado! Duas turmas tiveram pouca participação dos alunos, as outras 7 a participação foi melhor. Algumas turmas precisaram de duas aulas para apresentar o trabalho. Quando a música agradava, a turma toda ajudava o grupo cantar. Na segunda aula, começamos o trabalho com a apostila nova, sobre “saúde”. Na verdade o foco é gravidez na adolescência. Começamos a aula discutindo questões sobre orientação sexual. Muitos disseram que os pais explicam, outros aprendem na escola, ou com colegas. Os alunos tiveram a oportunidade de contar como é a relação deles com os pais, se há ou não abertura para conversar sobre sexo em casa. Eles contaram casos pessoais, contaram suas histórias. Como são 9 turmas ouvi de tudo. Pais que falam abertamente, pais que têm dificuldade de falar sobre sexo, pais que não admitem a conversa ou que não dão nenhum tipo de abertura, preconceito em relação ao tratamento de filhos e filhas. Falamos também de métodos contraceptivos e motivos pelos quais o número de adolescentes grávidas é alto. Lemos um gráfico de uma pesquisa feita em SC, com meninos de 15 a 19 anos. Os alunos comentaram as informações do gráfico e deram suas opiniões sobre o motivo atribuídos ao número elevado de gravidez na adolescência. Eu fiz uma pesquisa entre eles e constatei que em torno de 40% dos meus alunos nasceu “acidentalmente”. Eles se interessaram bastante pela aula, pela discussão. No início surgiram brincadeiras, mas como eu sempre falava que não tinha criança nenhuma ali, eles se acalmavam e a conversa fluiu com menos piadinhas. Mas todos queriam falar, muitas vezes ao mesmo tempo. Tivemos que fazer combinado de levantar a mão para organizar a aula. O que pude perceber é que eles se acham bem informados e consideram que quem engravida é porque quer, pois sabem dos riscos, sabem como prevenir e se isto acontece é por irresponsabilidade do casal.